Páginas

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A voz às crianças #2

B:  Já sei! Vamos procurar uma coisa! (vai remexendo na caixa de brinquedos do consultório)
Eu: O que vamos procurar?
B: Ainda não sei. Mas vamos procurar!
Eu: Hummm... Ok.
(Remexemos ambas na caixa e nos brinquedos)
B: Sabes porque vamos procurar? Porque é bom quando encontramos alguma coisa...


B. 
Sexo Feminino
7 anos
Cognome: 1. B, a Exploradora
                   2. B, a (futura) Psicóloga*

*ou como uma criança interfere directamente com a interpretação que se seguia na psicoterapia

Story of my life nowadays

Post nostalgia #3

Ai que eu era tão esperta em 2008.
A sério. É só ler aqui.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A sabedoria dos clássicos #1

"A natureza, ao fazer-nos crescer, não só nos favorece em forças e tamanho, mas, à medida que o tempo vai passando, dilata com ele o espaço interno da inteligência e da alma." 


Hamlet
Cena III, Ato I

A/c do Sr. Ministro da Saúde

Exmº Sr Ministro da Saúde
Dr. Paulo Macedo,

O meu nome é C.F, mas para o Sr. sou o processo nºxxxx de 2011, com um pedido de contratação da minha anterior entidade patronal e que, tanto quanto fui informada, repousa no seu Gabinete desde o dia 2 de Agosto de 2011.
Longe de mim querer ser piegas nesta missiva e dar ainda mais motivos ao seu chefe, Sr. Primeiro-Ministro, para continuar a “insultar” o povo português onde me incluo. No entanto, serve a presente para lhe dar conta da minha história profissional recente, já que um número de processo é apenas isso, um número.
Ora bem, há cerca de 11 anos concorri a um dos 16 lugares que na altura abriram para a carreira de técnico superior de saúde do ramo de Psicologia Clínica. Este foi o último concurso para esse efeito no nosso país, como se poderá informar. Fi-lo porque acabara o curso em 1998 e ansiava ter mais especialização, maior capacidade técnica e, sobretudo, continuar a minha vida laboral em contexto apoiado que continuasse a fomentar o estudo, a dúvida metódica, o ultrapassar de limites. Sabia que era difícil fazer parte desses 16, quando saiu uma lista de pessoas que seriam chamadas à entrevista. Continuei a minha vida laboral, procurando pelos meus meios conhecer, estudar, aprender ainda mais. A custo zero para o Ministério da Saúde. Em 2003 fui chamada a uma entrevista no Hospital Júlio de Matos. Devo confessar-lhe que estive para não ir e pensei tratar-se de um engano. Nessa altura pensava que o processo tinha “morrido” e que já não seguiria. Só numa segunda leitura, mais atenta, à convocatória é que associei à candidatura efectuada dois anos antes. Fui, a minhas expensas, num dia de Março de 2003 a Lisboa. Sou do Porto.
Continuei a seguir o meu percurso profissional. Cheguei a desviar-me da psicologia por sentir que me faltava alguma coisa, porque estava desiludida, porque sentia que podia mais mas era sempre travada por alguma coisa. Uma das coisas pelas quais tinha sido travada então tinha sido uma reunião com o director do hospital onde na altura trabalhava. Ele fora peremptório: nós não temos lugar de quadro para psicólogos clínicos. E eu não era psicóloga clínica. Faltava-me a especialização. A tal que eu concorrera mas da qual não soube mais nada. Nessa altura resolvi sair, bater com a porta. Não apenas ao local onde estava, mas principalmente à minha prostração até então, à espera não sei propriamente do quê. Nessa altura ingressei no mundo da comunicação social. Momentos bons esses. Aprendi muitas coisas. Aprendi sobretudo que se pode trabalhar longe de “títulos”, de egos insuflados, de hierarquias (ou com hierarquias horizontais em que todos participam no processo de criação do serviço que prestam).
Até que em 2005, no Verão, recebo uma nova carta da ACSS dando-me conta que deveria escolher por ordem de preferência, entre a lista que me apresentavam, os locais onde quereria fazer a dita especialidade, a tal do concurso de 2001. Novamente fiquei surpreendida. Liguei para a ACSS, informei-me. Dizem-me que enviaram essas cartas para os primeiros 80 candidatos e que poderia ver a minha classificação no DR X. Pois, era a 15ª. Ou seja, se eram 16 os lugares, eu já estava directamente colocada. Fiz as escolhas, sempre na dúvida, sempre com o meu coração dividido se deveria fazer aquilo. Olhei para trás, para o curso, para os anos de voluntariado e pensei que devia isso a mim mesma. Aceitei. Em Dezembro de 2005 fui colocada no extinto Hospital Pediátrico Maria Pia no Porto. A minha opção foi também consciente e tive sorte de ter sido colocada na minha primeira escolha. Neste intervalo, desde 2001 e até 2005, concorri ainda a um processo de equiparação ao estágio de carreira. Foi-me  negada a mesma porque não tinha, segundo os júris, a devida experiência em avaliação e intervenção de crianças e adolescentes. Assim, face às opções, decidi escolher aquela que me poderia providenciar a minha lacuna profissional à data.
Não vou falar-lhe do processo do estágio/ internato. Deveria, para o Sr. Ministro dar-se conta dos maus profissionais que grassam por estes serviços afora: com más práticas, más formações, maus companheirismos. Mas não é isso que me faz escrever-lhe esta carta.
Terminei o “internato”, a “especialização”, o que quer que lhe queira chamar, visto que estágio de carreira não será, visto estarem estas congeladas ao nível da função pública. No entanto, tenho o título de “especialista” de “Psicóloga Clínica”. Até tenho um anúncio em DR a homologar a nota do exame realizado em Março de 2009.
No Decreto Lei que visa a conceptualização dos ditos “estágios da carreira” (ou o que quer que lhe queira chamar) está previsto um prolongamento de dois anos ao contrato a partir do mês seguinte ao DR em que viria o resultado da nota final. Isto seria “apenas” um pró-forma. Visto que o objectivo seria que durante esses dois anos, a situação do técnico superior se regularizasse, passando a técnico superior de saúde numa instituição pública de saúde. O meu prazo (curiosa, não é? A palavra prazo?) terminou a 31 de Julho de 2011. E continua terminado nessa data. O Centro Hospitalar onde me integro fez um pedido de contratação. Tinha agendamento aberto, consultas a meu cargo, funções a meu cargo (desde responsável pela biblioteca a psicóloga clínica que seria mais responsável pelas avaliações psicológicas forenses, ou a única psicóloga do departamento que fazia um determinado tipo de grupo com crianças em idade escolar, que por sinal trazia ganhos para crianças e famílias). O processo também foi todo mal gerido, essencialmente por mim: fui ingénua e achei que era uma questão de meses para o Sr. Ministro regularizar a minha situação. Porque fui tão crédula? Não por acreditar na sua boa vontade, pode crer! Nem por acreditar na minha real capacidade e qualidade. Sei que não é isso que é valorizado neste momento em saúde e deixemo-nos de pruridos em dizê-lo. Acreditei porque eu PRODUZO. Eu esfalfava-me a trabalhar, fora de horas, em casa, aos fins-de-semana! Via um sem número de consultas por mês, fazia exames forenses, fazia grupos, participava em investigações, protocolava avaliações em consulta. Chegava a enviar relatórios via e-mail às onze e meia da noite porque sabia que determinada criança e jovem iria ter consulta com o seu médico no dia seguinte e era importante estar o relatório no processo para o médico poder fazer os passos seguintes na orientação/ intervenção do caso. Porque não fazia os relatórios no hospital? Porque não conseguia! Porque produzia. Dava consultas de hora a hora, fossem avaliações, intervenções, psicoterapias. Não sei se o Senhor Ministro está a par do trabalho de um Psicólogo. O trabalho clínico quero eu dizer. As avaliações que envolvem provas que depois precisam de ser cotadas, analisadas, percebidas num todo que nos permita perceber o funcionamento mental. Não sou, pois, tão ingénua que pense que o Senhor Dr. ia privilegiar a qualidade. Porque disso as pessoas com quem trabalho, os utentes junto dos quais intervi, poderão falar. Eu falo de números Sr. Ministro. De rendimento. E só porque tratava os números como pessoas é que trabalhava fora de horas e fazia relatórios em casa. Apenas por isso.
Hoje é dia 10 de Fevereiro de 2012 e o Sr. Ministro continua com o meu processo no seu Gabinete. Eu só lhe quero dar a conhecer quem é a C.F.P por baixo desse número protocolado institucionalmente. E dizer-lhe o quão triste estou com o rumo da saúde por estes dias. Mas sabe o que me amargura mais? Sem modéstia? O que me deixa muito triste é o SNS ter perdido uma profissional que tendo em conta a qualidade do serviço prestado, esforçava-se por tratar os seus números como crianças e adolescentes que são. E sabe porque digo que o SNS perdeu? Porque mesmo que um dia volte, vou olhar para o lado e fazer o que os outros fazem e continuam com um posto de trabalho. Ou então vou produzir menos. Ainda não sei. Mas a profissional, com especialidade paga pelo Ministério que o Senhor Doutor actualmente comanda, de Julho de 2011 (ou mesmo a de Agosto, Setembro e Outubro de 2011 que produziu e trabalhou sem receber um tostão do Ministério da Saúde, à conta de ser ingénua e pensar que era uma coisa que se regularizava mais tarde ou mais cedo e não quis abandonar os utentes e as psicoterapias a meio, sem dar satisfações a ninguém!!) o Sr. Ministro, a crise, as circunstâncias, a conjuntura, o que seja, fizeram desaparecer.
Esta é, pois, uma carta de agradecimento Sr. Ministro! Obrigada por me ter feito aprender mais umas coisas que precisava.
Boa sorte para o seu trabalho,
C.F.P

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O lema é poupar #2

Amanhã é dia de pegar na Bimby e pô-la a render. 
Lista dos artigos sonegados à própria da lista de compras do próximo fim-de-semana (ou fim de semana, por causa do acordo!):
- pão ralado
- açúcar ralado
- maionese
- paté de azeitona.

Oh shit! #1

Véspera do Dia dos Namorados, há uns anos largos atrás.
Eu: Então amanhã sempre vou ter a tua casa, encomendamos pizza e vemos a Bridget Jones? ehehe... Ou então vamos a um restaurante e fazemos de conta que somos um casal de lésbicas, só para chocar!
X: ...
Eu: Sim, estás aí?
X: Estou.
Eu: E então?
X: Lembras-te da sms que te mandei sábado de madrugada a dizer que tinha uma novidade para te contar?
Eu: Ah sim, então?
X: Já tenho namorado com quem passar o dia.

Onde se reciclam pessoas?

Hoje andei nas limpezas e arrumações. Livros e papelada.
É incrível que, mesmo com tanta coisa informatizada em pens, drives externos, em pastas no pc, ainda tivesse tanto papel para aqui armazenado.
Há coisas boas nestas limpezas radicais. Encontram-se tesourinhos deprimentes (que vão fazer abrir uma nova gama de posts!), documentos importantes que já não eram vistos há anos e que em dado momento tanta falta fizeram, (re)descobrimo-nos (neste caso mais ao nível profissional porque foi dia de pôr papelada de trabalho em dia).
Também deu para criar um mini-espaço de leitura na sala: um corner com puff e rodeado de livros, tudo improvisado no chãozinho e com um candeeiro ao lado!
Isto quando não se trabalha em horário total, fazendo-se umas consultas privadas de quando em vez, tem de trazer alguns benefícios.
Ainda não pus tudo em ordem. A coisa tem de ser faseada. Havia pastas e envelopes grandes que resolvi nem mexer.
E os papéis de Mr. Mesmico continuam ali à mercê da desarrumação muito própria dos homens. Resolvi não mexer. Mas está-me a dar cabo dos nervos, devo confessar. 
Agora só falta haver pastas de reciclagem, sacos do lixo e contentores que recebam monos em forma de gente! Ui que era um ver se te avias :)

... a saber: 
#2 sou cão que ladra, e muito, mas não mordo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Post nostalgia #2

Há dois anos andava, a esta hora, por aqui.


First we take manhattan...

On the sunny side of the street #2

Decisões para 2012 #3

Deixar de ver telejornais.

Epifanias #1

Tenho para mim que aquela do "piegas" do Pedro PC era uma boca para o Aníbal CS.

Uma lady na mesa. Uma louca... no carro #1



Tenho mau feitio. No geral. Mas sou educada e polida. No geral.
No carro no entanto tenho péssimo feito. E não sou educada e polida.
Entro no carro e a minha educação e bom trato ficam cá fora e sou de imediato possuída por um Fangio acelera, um Manuel Pinho no uso intensivo da linguagem não verbal, uma Luceee com "sotáque".
E não blasfemo apenas contra velhos domingueiros. Nãaaaaaaa, é tudo corrido a impropérios: escolas de condução, "tias" empatas em bólides xpto, taxistas, autocarros, homens do lixo, velhinhos caquéticos, putos imberbes, basofes de carros quitados que não deixam passar ninguém, senhores com ar de bancários ou pessoal com cara de superdragão.
Uma vez apitei no trânsito a um superior hierárquico. Ia refilar mas contive-me a tempo. A pessoa não estava atenta (ao tlm, daí estar a empatar literalmente, mesmo no meio de duas faixas de rodagem) e não me viu. Segui, de mansinho e a assobiar para o lado.
Mr. Mesmico é que tem razão. Devia fazer um daqueles cursos de controlo da raiva na estrada. 

Saiam uns banquinhos aqui para a menina :)

É que já sei o que vou fazer às minhas "Volta ao Mundo" que andam aqui pelos cantos da casa aos caídos...

Olha, é a minha cara! #6

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A voz às crianças #1

"Tia L., a M. gosta de tudo... de tudo o que a tia gosta... e da tia."
 Dá-me um beijinho e uma festinha na cara.
Continua: 
 "Agora dá chá que a M. gosta... e queijo... e esse bolo.""




M., sexo feminino, 2 anos e 1 mês.
Cognome: M,  a Sedutora.

Short Message Service #23

Nem tudo o que parece é.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

PlayList #11

I am a drama queen #1



O frio invade com insistência a lavandaria. Eu, dona de animais responsável e cuidadosa, tiro a Maria Nhé (um pássaro que temos cá em casa... um dia conto a história da passarada cá em casa) de lá e coloco-o na cozinha. Ponho também o wc tapado de Maria Mia na cozinha. Fecho a porta da lavandaria para que o frio que entra pelas frinchas abertas das janelas não invadam o resto da casa. Tapo a gaiola de Maria Nhé com um farrapo que tenho por aqui para ela ficar ainda mais aconchegada.
Maria Mia qual gato que é, com a predadorice e com a curiosidade que é particular aos felinos, anda de volta da gaiola até que a faz cair.
Aqui a drama queen, depois de ver no chão da cozinha a gaiola e tudo cheio de água do bebedouro e alpiste numa pasta nojenta (em CAPS para perceberem que foi mesmo aos gritos):
- O QUE É ISTO MARIA MIA??? QUE ANDASTE A FAZER??? DIABO DE GATA QUE SÓ MEXE NO QUE ESTÁ QUIETO! TU QUERES VER???? SAI-ME DA FRENTE QUE NEM TE POSSO VER. DESAPARECE!!! (mais uns impropérios pelo meio, às onze e tal da noite)


(Haviam de ter visto a cara de Mr. Mesmico, atónito, calado como um rato porque sabia que podia sobrar para ele, e a tentar ver onde andava a gata que mais assustada do que nós com a queda da gaiola, já se escondera num qualquer canto da casa)